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O que é Shushan Purim?

O Livro de Ester aponta uma diferença quanto à celebração de Purim nas cidades cercadas de muralhas. No 14.° dia de Adar, quando os judeus das províncias persas estavam comemorando sua vitória sobre Haman, aqueles que viviam em Shushan, a capital, ainda estavam lutando. Foi somente no dia seguinte que eles puderam
depor as armas e festejar.
Por esta razão histórica, determinou-se que não só Shushan, mas todas as cidades cercadas de muralhas, deveriam festejar Purim em 15 de Adar (Shushan Purim). Os rabinos do Talmud estenderam essa lei a todas as cidades que tinham muralhas na época de Josué. Por que justamente na época de Josué? Primeiramente, porque desta forma Jerusalém pôde ser incluída entre as cidades fortificadas; segundo, porque foi Josué quem começou a combater intensamente o inimigo Amalek, de quem Haman foi descendente.
Nos anos em que o calendário judaico tem treze meses, Purim é celebrado em Adar II.

 
O que se comemora em Purim?
Purim comemora a vitória da sobrevivência judaica sob domínio persa. Os acontecimentos descritos no Livro de Ester (Megilá) ocorreram por volta de 450 anos antes da Era Comum.
O nome "Purim" vem da palavra hebraica "pur", que significa "sorteio". Este era o método usado por Haman, o Primeiro-Ministro do Rei Achashverosh da Pérsia, para escolher a data na qual ele pretendia massacrar os judeus do país.
Mas os planos de Haman foram frustrados pela coragem da Rainha Ester e seu primo, Mordechai. Arriscando sua própria vida, Ester fez um apelo ao Rei para que salvasse seu povo, e a ordem de Haman foi revogada. Assim, aqueles dias fatais transformaram-se, conforme a linguagem da Megilá que lemos em Purim, "de tristeza em alegria", e o 14.° dia do mês de Adar é comemorado festivamente.
A história de Purim ressalta uma triste verdade, muito relevante em nossos dias. O povo judeu, ou qualquer outra minoria, torna-se sempre vulnerável quando fanáticos sobem ao poder. O extremismo - seja religioso, social ou político - só leva ao terror e à violência desenfreada.

 
Por que as crianças agitam reco-recos toda vez que o nome de Haman é mencionado, durante a leitura da Megilá?
A origem do costume são as palavras de Deus a Moisés: "Eu apagarei a memória de Amalek de debaixo dos céus" (Êxodo 17:14). Haman era descendente de Amalek.
Antigamente usavam-se duas pedras achatadas, ou então duas pequenas tábuas de madeira, nas quais estava inscrito o nome de Haman. Esfregando ou batendo uma contra a outra, conseguia-se literalmente "apagar o nome".
Hoje, o nome de Haman é simbolicamente apagado pelo barulho dos reco-recos.

 
Por que é costume realizar uma refeição festiva, trocar presentes e dar caridade aos pobres em Purim?
Todos esses costumes provêm de um versículo na Megilá: "... deveriam ser dias de festa e alegria, e neles enviariam presentes uns aos outros (mishloach manot, literalmente enviar porções de suas iguarias) e dariam donativos aos pobres (matanot laevyonim)" (Ester 9:22). Mais ainda, o relato da Megilá ressalta que a união dos judeus persas foi um dos fatores que mais contribuiu para sua vitória sobre Haman:
"Os judeus que estavam espalhados pelas províncias do rei se juntaram para defender suas vidas" (Ester 9:16). Perpetuando os costumes de "mishloach manot" e "matanot laevyonim" em Purim, demonstramos simbolicamente que continuamos unidos no espírito de fraternidade e solidariedade.

 
Por que é costume tomar bebidas alcoólicas na refeição festiva de Purim?
O vinho está sempre presente nas festividades judaicas, porém em doses comedidas. Em Purim, no entanto, permitem-se certos excessos que normalmente são desaconselhados. Isto porque, baseando-se nas palavras da Megilá, "dias de festa e alegria", e no fato de que Ester preparou um banquete com vinho para o Rei Achashverosh, os rabinos do Talmud deduziram que era uma Mitzvá tomar bebidas alcoólicas em Purim até o ponto de não conseguir mais distinguir entre as frases
"bendito seja Mordechai" e "maldito seja Haman" - os versos que concluíam um longo poema tradicionalmente recitado nessa ocasião.
Talvez por esta razão refeição festiva de Purim (seudá) realiza-se somente no final da tarde. Desta forma, as outras obrigações referentes ao feriado (leitura do Livro de Ester, caridade, etc.) podem ser cumpridas durante o dia, enquanto todos ainda estão sóbrios.

 
Por que é costume usar fantasias e máscaras em Purim?
Uma das interpretações é que as fantasias e as máscaras só mudam a aparência exterior, mas a substância interior permanece inalterada. Neste contexto, fantasiamo-nos em Purim em recordação dos judeus persas, que muitas vezes eram obrigados a seguir os costumes pagãos decretados pelo rei, porém no intimo continuavam fiéis à sua herança judaica.
 
Por que não é mencionado o nome de Deus na Megilá?
Existem diversas explicações, porém todas um tanto forçadas e pouco convincentes.
Alguns dizem que o Livro de Ester não foi originalmente escrito como um texto sagrado, mas sim como um documento "jornalístico", cuja finalidade era simplesmente divulgar aqueles eventos históricos. Daí a omissão do nome de Deus.
Outros alegam que o Nome Divino foi omitido para ressaltar a suprema dedicação de Ester ao seu povo, para que não fossem ofuscados de nenhuma forma seu heroísmo e coragem.
Alguns acham que Deus intencionalmente deixou de Se revelar na Megilá, conforme Sua própria afirmação numa passagem bíblica: "Veanochi haster astir panai", "E certamente esconderei Minha face" (Deuteronômio 31:18). É curioso observar que duas palavras hebraicas nesta frase, haster e astir, soam e se soletram quase igual a "Ester".
Ainda outra interpretação é que o autor da Megilá absteve-se de qualquer referência direta à Divina providência, temendo que o nome de Deus pudesse ser profanado durante a leitura do texto em Purim, ocasião em que se permitem certos excessos.
Seja como for, a ausência do nome de Deus quase provocou a rejeição da Megilá coma parte da Bíblia. No entanto, essa omissão não diminui em nada nossa profunda fé no Todo-Poderoso, e nossa crença de que a milagrosa salvação dos judeus persas não teria acontecido sem a Sua proteção.

 
Por que se jejua na véspera de Purim?
De acordo com o relato na Megilá, Ester pediu aos judeus que jejuassem, em sinal de solidariedade, na véspera do dia em .que ela teria sua audiência com o Rei Achashverosh. Embora isto tenha ocorrido meses antes da vitória final que comemoramos em Purim, observamos simbolicamente o Jejum de Ester (Taanit Esther) no dia 13 de Adar.
Exceto no caso de Yom Kipur, é proibido jejuar no Shabat, por ser um dia festivo, e também na sexta-feira, por interferir com os preparativos para o Shabat. Normalmente, quando um dia de jejum cai no sábado, ele é adiado para o domingo. No entanto, quando o dia 13 de Adar cai no Shabat, o jejum é antecipado para a quinta-feira. A razão, segundo Maimônides, é que historicamente "o jejum de Purim tem que preceder à celebração."

 
O que são hamantaschen? (Oznei Haman)
Hamantaschen são pãezinhos triangulares tradicionalmente servidos em Purim, recheados com sementes de papoula. O nome em alemão significa "bolsos de Haman". Em hebraico, são chamados Oznei Haman, "orelhas de Haman". Não existe nenhuma explicação lógica para esses nomes, nem para a interpretação popular de que a forma triangular representa o chapéu de três pontas usado por Haman.
De acordo com o Midrash, Haman era extremamente arrogante e tinha certeza absoluta de que conseguiria aniquilar os judeus. O único pensamento que diminuía um pouquinho sua autoconfiança era que os três Patriarcas pudessem interceder em prol dos filhos de Israel perante o Trono Celestial. Daí, as três pontas dos hamantaschen simbolizam Abraão, Isaac e Jacob.

 







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